14.6.21

Sugestões de Leitura: Périplo pelos Bares do Mediterrâneo e outras Histórias

“Périplo pelos Bares do Mediterrâneo e outras Histórias”
de Ali Duaji; ed: E-Primatur, 2020

A mais importante novela (1935) de um dos grandes renovadores da moderna literatura árabe que antecipam, de certa forma, Kerouac ou Bukowski numa realidade completamente diferente.
Inspirada numa viagem empreendida pelo grande escritor tunisino no ano de 1933, a novela que dá título a este volume relata a jornada do autor e dos seus companheiros por vários portos do Mediterrâneo. O percurso, feito maioritariamente de barco, mas também de camioneta em curtas excursões por terra, começa na travessia entre Tunes e a Córsega, e, segundo as palavras do autor, leva-o a deparar-se com «um tremendo sinal de interrogação que começa em França, passa por Itália, Grécia, Turquia e Levante, e cujo ponto é a cidade de Alexandria, a última e a mais importante desta nossa viagem».
No entanto, o livro termina a narrativa deste périplo na cidade de Esmirna, na Turquia, não sendo claro por que razão o autor não quis avançar mais. Muito possivelmente, de acordo com o seu temperamento indisciplinado e refratário, simplesmente não lhe apeteceu escrever mais e fechou o relato.
Esta novela, publicada em 1935, é uma espécie de obra «on the road» e uma bela amostra de uma literatura árabe que poucos europeus suspeitavam existir no começo do século XX. Apesar de ser tentador traçar alguns paralelos com o género de viagem (rihlah) da literatura clássica, cujo exemplo mais conhecido é A Viagem de Ibn Battutah, na realidade Ali Duaji é mais facilmente comparável à beat generation. A intenção do autor, mestre de uma ironia fabulosa, é não falar sobre o que os leitores estão «habituados a ler em livros de viagens sobre as curiosidades dos mares ou as maravilhas da natureza, nem sobre montanhas altíssimas ou grutas profundíssimas». E também admite que não irá «descrever as ruas, as praças, os jardins e os edifícios. São coisas que se assemelham entre si em qualquer lugar […]». O título do livro justifica-o alegando que «foi para estabelecer a verdade relativamente ao que fizemos durante o nosso périplo pelos portos deste esplêndido mar, dos quais nada vimos a não ser os bares e os cafés».
Mas nem só de bares viveu o autor nesta viagem, visto que acompanhou algumas excursões em que é subtilmente patente o seu desinteresse pelas mesmas, e até mesmo um certo escárnio pela ignorância e indelicadeza por parte dos seus companheiros de viagem europeus. O autor relata a sua visita à Córsega (Bastia), a Nice e à Côte d’Azur, a Nápoles a Pompeia, ao Pireu, a Atenas, a Dardanelos, a Istambul ou a Esmirna através dos seus encontros com os nativos e as nativas e do seu convívio com os demais companheiros de viagem, numa tentativa subjetiva de compreender o que há de comum e de diferente entre os povos mediterrâneos e de aprofundar os seus conhecimentos íntimos sobre a beleza da mulher mediterrânea, que tanto admira.
Esta tradução foi feita a partir do original árabe e a ela se acrescentam mais alguns contos do autor (com personagens portugueses, inclusive). Assim esta é a primeira edição em língua portuguesa da obra daquele que é considerado o pai do moderno conto tunisino.
Infelizmente, Duaji morreu cedo, aos 40 anos, vítima de tuberculose, e não deixou para a posteridade uma obra vastíssima. No entanto, o que escreveu foi suficiente para fazer dele um vulto incontornável da renovação literária árabe da modernidade. Além de contos, escreveu artigos de opinião, poesia e teatro. Era um frequentador assíduo da boémia tunisina dos anos 30 e um profundo conhecedor da literatura árabe e francesa, apesar de nunca ter completado o ensino primário

in: e-primatur

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10.6.21

Para os mais novos: O Pequeno Livro do Ambiente

“O Pequeno Livro do Ambiente”
de Christine Coirault, da Editorial Presença.

Gostas das árvores e dos animais?
Aprecias tanto a chuva como a luz do sol?
Queres dizer "não" ao desperdício?
Reciclar o lixo,
poupar água,
respeitar a natureza,
proteger os animais?

E tudo isto, começa em casa!

7.6.21

ENCONTROS COM AUTORES | Miguel Carvalho apresenta "Amália - Ditadura e Revolução (a história secreta)" | 11de junho às 18h00 | Biblioteca Municipal Álvaro de Campos | Tavira

Presenças limitadas à capacidade do espaço de acordo com o Plano de Contingência aprovado.

Existirão, assim, 20 lugares. Será necessária marcação prévia feita no site do evento que poderá aceder através do botão abaixo

De forma a garantir lugar, em caso de desistências, sugere-se que os inscritos estejam presentes até às 18h . A partir desse momento entrará quem chegue, mesmo sem estar inscrito, até ao limite dos lugares disponíveis.

Os Livros do autor, estarão à venda na entrada da Biblioteca, durante a sessão.

Sugestões de Leitura: As Aventuras de Orlando

“As Aventuras de Orlando”
  • Orlando e o Rinocereonte
  • Orlando e o Tambor Mágico
de Alexandra Lucas Coelho; ed. Alfaguara, 2017 e 2019

Orlando e o rinoceronte é o primeiro livro da série As Aventuras de Orlando. Neste livro Orlando viaja com o rinoceronte mais famoso do mundo: Ganda, o rinoceronte indiano que foi dado de presente a Afonso de Albuquerque, então governador na Índia.

Orlando e o Tambor Mágico - Orlando tem oito anos e não consegue dizer os «éles». a mãe e o pai estão separados mas moram no mesmo bairro de Lisboa. Onde também mora Tobias, que nunca jogou futebol. e Cláudia, que quer mudar o mundo e casar com Orlando. Ele está sempre a fugir dela. Nesta aventura, Orlando viaja com o pai até à Guiné-Bissau, em África, e descobre que as árvores também falam e há tambores mágicos que vêm das árvores. Esta segunda aventura da série é inspirada numa viagem que Alexandra Lucas Coelho fez à Guiné-Bissau na altura do 25 de Abril, a revolução da liberdade.

in: Bertrand: Orlando e o rinoceronte - Alexandra Lucas Coelho

A série Orlando é a estreia de Alexandra Lucas Coelho na literatura infanto-juvenil, onde também se aventura como ilustradora.

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3.6.21

Hora do Canto: O mar aqui tão perto

“O mar aqui tão perto”
texto e il. José Carlos Fernandes, ed. Instituto da Conservação da Natureza, 1998
Voz e adereços: Paula Albino / Ed. de imagem: Alexandra Pacheco

Neste conto vais aperceber-te como as dunas são muito importantes para conter o avanço da água do mar pelas zonas costeiras.

Este ecossistema é prejudicado pela ação humana através da poluição, das pegadas por caminhadas por entre a vegetação, da passagem de bicicletas ou jipes, o que desequilibra/destrói o habitat de diferentes plantas, aves e outras espécies como camaleões ou insetos.

Quando o ser humano interfere com o equilíbrio do planeta, como por exemplo através da poluição dos oceanos, isso traz consequências negativas nos outros ecossistemas, como é explicado no conto.

Os ecossistemas estão interligados e todos os seres vivos dependem uns dos outros. Um ecossistema, por pequeno que seja, como é o caso das dunas, contribui para o equilíbrio do planeta.

Está nas tuas mãos, nas nossas mãos, a importante missão de respeitar, proteger e preservar o Ambiente!

2.6.21

“Montedidio” de Erri de Lucca

“Montedidio” de Erri de Lucca

Montedidio, é um bairro de vielas, apinhado de gente e casas. Vive aí um rapaz de 13 anos a quem o mestre ensina um ofício. Durante esta aprendizagem ele descobre a palavra Amor. Considerado, pela crítica um dos grandes livros da literatura contemporânea, em Itália. Montedidio foi publicado em Itália em 2001 e editado em Portugal, quase de seguida pela Âmbar. Esgotou, e voltou em 2012 a ser reeditado pela Bertrand.
Erri de Lucca, nasceu em Nápoles em 1950. Trabalhou em diversas áreas, foi operário, viajou e escreveu o seu primeiro livro aos 40 anos.
É escritor e tradutor, autodidata em diversas línguas. Montedidio foi publicado em Itália em 2001 e em Portugal, quase de seguida, pela Âmbar. Saiu de circulação, e voltou em 2012 a ser reeditado pela Bertrand.
Um escritor apaixonado, com uma vida intensa repleta de experiências refletidas no que escreve.