"Ferry"
de Djaimilia Pereira de Almeida
ed: Relógio d’Água, 2022
No ferry, em direção a sul, Vera e Albano. Fugiam, ainda que não o soubessem.
de Djaimilia Pereira de Almeida
ed: Relógio d’Água, 2022
No ferry, em direção a sul, Vera e Albano. Fugiam, ainda que não o soubessem.
Na margem norte do rio, estava a cidade e os fantasmas de quantos os haviam perseguido, existentes e imaginários. No nevoeiro, tudo isso era difícil de ver.
A mulher encostou a cabeça ao ombro do homem e deram as mãos. Em diante, o desconhecido. E, sobre o desconhecido, um anel de neblina nascendo das águas negras.
in: relogiodagua.pt
de Djaimilia Pereira de Almeida
ed: Relógio D'Água, 2021
Os Gestos reúne notas de regresso a casa sob a forma de migalhas deixadas no caminho.
Anotações biográficas, ficções curtas, ensaios mínimos, fixações, sinais, lembretes, bilhetes, notas de leitura, acenos: memorabilia das mãos que nos dão a mão quando caímos.
Djaimilia Pereira de Almeida é autora de, entre outros, Luanda, Lisboa, Paraíso e A Visão das Plantas, ambos distinguidos com o Prémio Oceanos.
in: relogiodagua.pt/
Foi ao ler Os Pescadores de Raul Brandão que Djaimilia Pereira de Almeida encontrou a frase que haveria de inspirar anos depois A Visão das Plantas. Raul Brandão fala de personagens que conheceu quando era levado pela mão até ao colégio. Entre eles, estava o capitão Celestino: "[T]endo começado a vida como pirata a acabou como um santo, cultivando com esmero um quintal de que ainda hoje me não lembro sem inveja. Falava pouco. […] A sua vida anterior fora misteriosa e feroz. De uma vez com sacos de cal despejados no porão sufocara uma revolta de pretos, que ia buscar à costa de África para vender no Brasil. Outras coisas piores se diziam do capitão Celestino... Mas o que eu sei com exactidão a seu respeito é que para alporques de cravos não havia outro no mundo."
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