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11.11.25

Sugestões de leitura

"O que a chama iluminou"

de Afonso Cruz
ed: Companhia das Letras, 2024

O que a chama iluminou

Kiev, 1919. Os bolcheviques controlam a cidade, mas os czaristas ameaçam-nos a partir do Ocidente. Santiago do Chile, Setembro de 2019. Num beco escuro, encurralados por dois blindados conduzidos por carabineros, dois vultos temem pela vida. Um deles é Afonso Cruz.

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24.9.20

Para onde vão os Guarda Chuvas

de Afonso Cruz

Afonso Cruz, foi selecionado, neste mês de Setembro de 2020, para a quinta Bolsa de Residência Literária, a decorrer em Berlim, por iniciativa da Embaixada de Portugal na Alemanha e do Camões – Centro Cultural Português. É autor de muitos livros, vencedor de vários prémios, mestre de muitas artes - ilustrador, cineasta e músico da banda The Soaked Lamb.
Ler os seus livros é mergulhar na profundidade dos temas que aborda, levando o leitor a questionar e desconstruir o mundo em que vive, mas sempre com um fio condutor de esperança.
Li, já há algum tempo, seu livro “Para onde vão os guarda- chuvas”, editado em 2019 pela Companhia das Letras.
“Para onde vão os guarda-chuvas é o ponto mais alto da capacidade narrativa e de efabulação de Afonso Cruz. (…) O que poderia não passar de um exercício de demonstração de sabedoria é um livro cheio de humanidade, muitas vezes brutal, e de um apurado sentido estético. Magnético.”
Isabel Lucas, Público
Desse Livro, que tanto gostei de ler, deixo este pequeno texto.
“[…] Com licença, general, o meu primo, todos os anos visita a cerejeira de Tal Azizi, que árvore bonita, que milagre. Deita-se debaixo dela, mas diz que aquela árvore é como toda a religião: só nos impede de ver o céu. […]”

ver em Wook

6.7.20

O que Estou a ler: "Vamos comprar um poeta"


de Afonso Cruz, Caminho, 2016


Texto que retrata uma sociedade reduzida a números e processos mentais que não integram o sonho, a poesia.
Uma realidade que exclui a cultura, racionalizando-a e transformando-a em números secos e abstratos.
É com humor, que o Afonso Cruz nos leva desconstruir o mundo de certezas em que vivemos. É na literatura, na arte, na poesia, nestas coisas “inúteis” que refletimos e resistimos e nos permitimos (re) criar um mundo diferente.

“[…] O poeta aproximou-se do sofá e passou as mãos pelo tecido.
É um sofá, disse eu, mas ele nem sequer olhou para mim. Não que estivesse à espera, já que os estudos afirmam que os poetas vivem com pouca relação com a realidade e com quem os rodeia, não é que sejam parvos, é mais uma característica, assim como ser muito baixinho, digamos, abaixo de um metro e quarenta, ou ter manchas pretas como as vacas leiteiras que aparecem nas embalagens dos chocolates importados da Suíça ou da Bélgica.
A mãe alisou os lençóis, patrocinados por uma empresa de exportação de frutas e legumes, virou-se uns quarenta e cinco graus, baixou-se um pouco, bateu com a mão direita três vezes na cama enquanto sorria para o poeta. Aquele gesto significava: vá deite-se.
O poeta aproximou-se lentamente.
Os olhos brilhavam.
Não sei se eram lágrimas.
Sentou-se na cama.
Ficámos parados a ver.
O poeta descalçou-se.
A mãe torcia as mãos à frente do avental.

O poeta deitou-se de costas e levou as mãos ao interior do casaco.
Tirou um livro.
Por Mamon, o que é que ele vai fazer?, perguntou o meu irmão alarmado.
Vai ler, respondi eu. […]”.
Este “Vamos comprar um poeta”, torna a leitura um divertimento, só que muito sério.