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15.10.20

Álvaro de Campos, por Teresa Rita Lopes


"[...]Álvaro de Campos Nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 [...]"

Desenho de Júlio Pomar

O nome de Álvaro de Campos, atribuído a esta biblioteca, prende-se com o facto deste heterónimo de Fernando Pessoa ter nascido em Tavira, como refere na carta que escreveu a Adolfo Casais Monteiro, onde explica a génese dos heterónimos: "[...] Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1.30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inatividade. [...]".

Em 2006, aquando da inauguração ao público, pedimos à Doutora Teresa Rita Lopes que escrevesse sobre este “autor”. O artigo foi publicado na revista Tavira, nº17, de Janeiro de 2006 - Álvaro de Campos o engenheiro de Tavira Teresa Rita Lopes, que tendo feito o seu doutoramento com uma tese sobre Fernando Pessoa, tem consagrado a sua carreira de investigação ao estudo da obra deste autor.

Fica aqui o texto de Teresa Rita Lopes.

"Ao criar Álvaro de Campos [...] Fernando Pessoa deu forma de gente aos seus medos e anseios ao mesmo tempo. Ousou, através dele, os gestos e os sonhos e as viagens e os excessos que o seu temperamento confessadamente abúlico lhe não permitiu viver.
Pessoa confessou - na sua própria pessoa mas também na de Bernardo Soares - a incompetência para a vida. Álvaro de Campos assumiu, em seu lugar, a vida de relação para que Pessoa se não sentia fadado: dirigiu aos jornais, artigos com referências escandalosas, até ao político Afonso Costa e, mais tarde, escrevia a Ofélia cartas fervilhantes de um humor de que Pessoa, quando o amor o dominava, não tinha sido capaz.
Na célebre carta a Adolfo Cascais Monteiro, escrita por Fernando Pessoa pouco antes de morrer, este apresenta Álvaro de Campos como o seu retrato melhorado, sob muitos aspetos, física e moralmente falando: "alto (1,75 de altura, mais dois centímetros do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se". E especifica: "Tipo vagamente de judeu português" - como todas as fotografias de Pessoa sugerem. Fá-lo nascer em 1890, dois anos antes de si próprio, em Tavira.
Álvaro de Campos foi heterónimo que viveu a infância de Pessoa, adaptando-se à realidade algarvia: numa "quinta velha" a que às vezes chama "quintal", como aquele de que se fala na "Ode Triunfal": "Na nora do quintal da minha casa o burro anda à nora, anda à nora / E o mistério do mundo é do tamanho disto". Noutro poema recorda, com nostalgia: "Meu horizonte de quintal e praia!" É talvez nessa praia vizinha que evoca, mais tarde, uma rapariga de vestido "azulinho" e se espoja de cio " como um elemento inferior"...
Também o visionamos partilhando, na infância, o colo das "tias velhas" , duma criada e de uma avó que, às vezes, bordava a missangas, numa "ampla sala de jantar" em que "o relógio tiquetaqueava o tempo mais devagar". Depois chegava " o chá das noites sossegadas" - " o chá com torradas na província de outrora".
Campos é regularmente visitado, ao longo da sua vida, por essas recordações de infância. Às vezes, "as tias mortas" fazem chá de novo / na casa antiga da quinta velha.
Um poema de 1930 permite-nos assistir ao crescimento do menino nas suas sucessivas fases, desde criança, no colo das tias, até ficar homem, engenheiro, na Escócia e já cansado de aí estar. Vemo-lo, primeiro, feliz mas inconsciente da sua felicidade, na casa-colo das tias de que em breve seria apeado: surpreendemo-lo, em seguida, "errante na casa das "tias já mortas". É uma dessas tias que, na Ode Marítima", lhe cantava o romance da "Nau Catrineta" para o adormecer, na casa da sua "infância ao pé do rio" Gilão, assim se chama o rio que atravessa Tavira.
À procura de si, desse passado, o vemos desembarcar na sua cidade natal, num poema intitulado "Notas sobre Tavira", 1931, em que confessa: "Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu".
É evidente que não foi por acaso que Pessoa fez nascer Álvaro de Campos nessa cidade algarvia, berço de seu avô general, Joaquim António de Araújo Pessoa, e de seu tio Jacques Cesário de Araújo Pessoa, também militar de profissão.
Durante a sua estadia em Lisboa, entre 1901-02, o jovem Pessoa residindo então com a família em Durban, na África do Sul, deve ter tomado consciência, só então, de quem eram esses seus antepassados de que mais tarde, ao regressar definitivamente a Portugal, desenhará o brasão.
Numa nota autobiográfica que redigirá disse-se "descendente de fidalgos e judeus", pensando com certeza nesses Pessoas cuja origem remontava até ao início da nacionalidade. [...]
Depois de regressar definitivamente a Portugal, em1905, Pessoa visitava com alguma regularidade a família de Tavira, sobretudo a tia Lisbella (da Cruz Pessoa Machado), que residia no Largo da Alagoa, hoje nº 40 mas tinha também, na Asseca, a quinta da Mesquita, e, em Monte Gordo, "também possuiria propriedade sua", segundo M. Lucília Lencart, na sua obra "Do Algarve nasceu Fernando Pessoa", ed. da autora, 1987 (p.150)."

Veja outras sugestões de leitura  Aqui

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biblioteca@cm-tavira.pt

12.10.16

Algarve Toastmasters Club - Aniversário Álvaro de Campos . 15 de outubro de 2016 . 16h30


Resultado de uma associação da Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, com o Clube Toastmasters de Faro, decorrerá uma sessão especial dedicada ao Aniversário de Álvaro de Campos, no dia 15 de Outubro pelas 16h30, na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos em Tavira.

Serão feitas breves apresentações sobre este heterónimo de Fernando Pessoa, que “nasceu” em Tavira no dia 15 de Outubro de 1890. 

Toastmasters International é o líder mundial na arte de comunicar (falar, ouvir e pensar). A Toastmasters International é uma organização sem fins lucrativos, vocacionada para os seus membros, fundada por Dr. Ralph C. Smedley (1878-1965). Existem mais de 12,500 clubes Toastmasters no mundo.

Um clube Toastmasters, cria um ambiente de aprendizagem positivo e de suporte mútuo, onde cada membro tenha a oportunidade de desenvolver as suas capacidades de comunicação e de liderança.

30.9.16

O Autor do mês - Todos os meses, um autor em destaque!

Autor de outubro |Fernando Pessoa
 

A escolha do autor do mês de Outubro recaiu sobre Fernando Pessoa por este ter feito Álvaro de Campos, seu heterónimo, nascer, a 15 de Outubro de 1890, em Tavira.

Álvaro de Campos é o móbil d’ A FESTA DOS ANOS DE ÁLVARO DE CAMPOS, este ano na sua 2ª edição.

“Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como "correspondente estrangeiro". Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros e outros, a revista "Orpheu", que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista "Orpheu" (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, "Mensagem" (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos. A editora Ática começou a publicar a sua obra poética em 1942. No entanto, já o grupo da "Presença" tinha iniciado a sua reabilitação (poética e filosófica) face ao público e à crítica. “

In: https://www.wook.pt/autor/fernando-pessoa/2103

30.9.15

Patti Smith lê Álvaro de Campos


Google Images 
 
«Saudação a Walt Whitman» de Álvaro de Campos, lida por Patti Smith, a 21 de Setembro 2015, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.

Mais informações: http://news.myway.pt/patti-smith-le-fernando-pessoa/25490

3.10.14

Recital. 16 de outubro de 2014 . 12h às14h


Há Musica na Poesia 
Carta de Ricardo Reis para Álvaro de Campos
O que te encanta em mim, irmão poeta
É a sombra inversa que me acompanha
Sabes, como eu, que toda gente e coisa
Tem alma e sonha ser uma outra coisa

E se assim, por que não estendê-la a tudo
Tinha alma a nau que te levou esta carta
O envelope e outra alma a tinta
E sendo assim, tudo tem alma, creia
Abra esta carta e minha alma leia.
                                                   Vicente Sá

Fernando Pessoa foi, talvez, o poeta que mais se intrigou com a mágica que transforma palavras em poesia. No âmago desta metamorfose, como se vê no diálogo travado entre Álvaro de Campos e Ricardo Reis em Paginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Pessoa encontrou na música a forma de expressão que  carrega as ideias de emoção, que expande o alcance da prosa e a eleva ao patamar de poesia. 
Dessa matéria mágica é composto o recital Há Música na Poesia, um recital musicado que será apresentado no próximo dia 16, às ....., na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos. Os artistas brasileiros Túlio Borges e Vicente Sá passeiam pela poesia brasileira e portuguesa percorrendo os trilhos de sua musicalidade.  O espetáculo é um tributo a Álvaro de Campos, heterônimo ao qual Fernando Pessoa deu berço em Tavira e do qual a cidade celebra, nesta semana, o aniversário. 

O ESPETÁCULO
Há Musica na Poesia intercala textos de Fernando Pessoa e seu heterônimo Álvaro de Campos com alguns dos mais expressivos poetas brasileiros contemporâneos, ora cantados ora contados, enfatizando sempre a sonoridade e a cadência das palavras que elevam alguns dos textos mais primorosos da língua portuguesa ao patamar de poesia.
Túlio Borges (voz e violão) e Vicente Sá (voz) são acompanhados pelo músico Victor Angeleas (bandolim) e, ao longo de 1h15min, passeiam pela obra de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, José Chagas, Jessier Quirino, Mário Quintana, Ferreira Gullar, Climério Ferreira, Vicente Sá, Angélica Torres e Heitor Humberto de Andrade, que estará compilada em um libreto para oferecer aos espectadores as dimensões da poesia na leitura e na audição. O passeio consiste da interpretação de poesias cuidadosamente musicadas por Túlio Borges e do recital de poemas selecionados por Vicente Sá.

OS ARTISTAS


Túlio Borges é natural de Brasília. Estudou piano desde os 10 anos, idade em que já compunha. Em 2010, é premiado em diversos festivais de composição brasileiros e lança seu primeiro disco . "Eu venho vagando no ar" (2010) apresenta canções autorais e recebe elogios de grande parte da crítica brasileira, como Tárik de Souza e Zuza Homem de Mello, além do prêmio de melhor cantor independente pela Rádio Cultura de São Paulo e a nominação como um dos 50 melhores discos do ano pela Revista Manuscrita.
Em 2014 grava seu segundo álbum, dedicado à cidade pernambucana de São José do Egito - capital nacional da poesia. O disco é recheado de parcerias com músicos e poetas nordestinos, como Climério Ferreira (PI), Jessier Quirino (RN), Afonso Gadelha (PB) e José Chagas (MA). 

Vicente Sá  nasceu em Pedreiras, no Maranhão vive em Brasília, cidade que adotou e pela qual foi adotado. Poeta desde a primeira infância, cresceu ao som mesclados dos cordéis – principal manifestação poética da cultura popular brasileira – dos poetas românticos e dos irreverentes modernistas, desenvolvendo o gosto e o domínio sobre a palavra falada que o tornaram um dos precursores da prática dos recitais poéticos resgatada por sua geração.
Tem oito livros publicados. Como letrista trabalha com Tulio Borges e mais de duas dezenas de parceiros e tem suas músicas gravadas pelo grupo Liga Tripa, por Célia Porto, Aloísio Brandão e Goya, entre outros.

Victor Angeleas, bandolinista, compositor e arranjador, iniciou seus reais estudos musicais aos sete anos de idade, depois de alguns anos de iniciação musical infantil. Estudou teclado, piano, guitarra, cavaquinho e formou-se em violão popular aos 15 anos. Elegeu o bandolim como seu instrumento principal aos 13 anos, começando o estudo deste na Escola de Choro Raphael Rabello. Recebeu, em 2005, o prêmio “Jovem Talento da Música de Brasília”. Já se apresentou em diversas cidades do Brasil e dividiu palco com grandes nomes da música, como Hamilton de Holanda, Pedro Amorim e Renato Vasconcellos. Em 2012 gravou seu primeiro CD, “Sem Fronteiras”, ao lado do acordeonista Junior Ferreira. Hoje, com vinte e cinco anos, é formado no curso de Licenciatura em Música pela Universidade de Brasília e está cursando Mestrado em Performance e Criação Musical pela mesma instituição.